quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Nestlé inaugura sua 31ª fábrica no Brasil


Empresa de origem suíça mais reconhecida pelos brasileiros, a Nestlé inaugurou no dia 18 de novembro sua 31ª fábrica no Brasil. Localizada em Três Rios, no Rio de Janeiro, a nova unidade fabril terá como foco a produção de leites líquidos e de bebidas à base de soja.
A Nestlé aposta nesse nicho de mercado, em franca expansão, por isso a nova fábrica recebeu, segundo a direção da empresa, investimentos de R$ 163 milhões.
Às margens da BR 040 e estrategicamente situada em relação às principais vias de acesso aos mercados consumidores de Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Minas Gerais, a nova fábrica da Nestlé ocupa uma área de 20 mil metros quadrados. Sua capacidade total de produção instalada é de 124 mil toneladas de produto por ano, o equivalente a recepção de um milhão de litros de leite por dia.

“Vamos começar com 200 mil litros e já contamos com 400 produtores na região. Esperamos chegar rapidamente a um milhão de litros, essa é nossa meta. Já iniciamos a produção da linha Sollys e dos leites Ninho e Molico líquidos e vamos iniciar em março a produção do Nescau líquido. A produção dessa fábrica abastecerá também os estados de Espírito Santo e Minas Gerais, além de parte de São Paulo. Ou seja, nós queremos e necessitamos de leite e mais leite”, disse o presidente da Nestlé Brasil, Ivan Zurita.
Expectativa
A expectativa é que a entrada em operação da nova fábrica da Nestlé fortaleça a bacia leiteira no Rio de Janeiro. Segundo Zurita, mil novos postos de trabalho diretos e indiretos serão gerados. Presente à inauguração, o governador do Rio, Sérgio Cabral, saudou o empreendimento: “É preciso ter a dimensão do que está acontecendo aqui hoje. Dos empregos que serão gerados, a grande maioria para os moradores de Três Rios e redondezas, da geração de riqueza e renda e, acima de tudo, da agregação de valor com a marca Nestlé”, disse.

Cabral afirmou que a nova unidade da Nestlé no Rio só foi possível porque o Estado lançou um novo pacote tributário para o setor leiteiro: “Precisávamos sair do impasse, pois a invasão dos produtos de fora era gigantesca no Rio. Nós consumimos por ano cerca de 3,3 bilhões de litros de leite, e produzimos apenas 600 milhões de litros. Esse pacote foi fundamental e outras empresas do setor virão, mas a Nestlé é a Nestlé. Essa fábrica é o estado da arte, é uma referência”, disse o governador.

Zurita lembrou que no Rio de Janeiro foi criado em 1921 o primeiro escritório de vendas de produtos importados da Nestlé: “Foi no Rio que nós realmente começamos, e hoje, em um momento onde o mundo passa por turbulências, estamos aqui inaugurando uma nova fábrica. Isso é um privilégio muito grande. A Nestlé no Brasil terá este ano um faturamento de R$ 20,6 bilhões, e a principal fatia desse montante é produzida no Rio de Janeiro”, disse o presidente da empresa, citando as unidades da cidade de Petrópolis (que produz a água do mesmo nome) e do bairro de Jacarepaguá, na capital, onde são produzidos 96 milhões de litros de sorvete por ano.

Sérgio Cabral afirmou que “saber que o Rio passou a ser o maior mercado da Nestlé no Brasil é algo muito significativo” e que a volta dos investimentos da empresa ao Estado “serve como referência e aumenta a credibilidade para a captação de novos negócios para a região”. O prefeito de Três Rios, Vinícius Farah, também saudou a chegada da Nestlé à cidade: “Para nós, é uma honra receber a maior empresa mundial do setor de alimentos, que construiu aqui uma de suas fábricas mais modernas”, disse.
O presidente da Nestlé do Brasil, Ivan Zurita (à direita), com governador do estado do Rio, Sergio Cabral. (Marie Hippenmeyer/Nestlé Brésil)
Capacitação
Em parceria com o Governo do Estado, a Prefeitura de Três Rios e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Nestlé fez um mapeamento dos produtores locais com o objetivo de realizar projetos para a melhoria da produtividade e da qualidade do leite produzido, além de assegurar a sustentabilidade da atividade leiteira na região. Profissionais da empresa estão dando assistência técnica aos pequenos produtores, além de orientações sobre as melhores práticas de produção. A Nestlé espera com isso aumentar a competitividade e a rentabilidade de toda a cadeia produtiva.

“O resultado disso será uma melhor qualidade de vida no meio rural. Para a Nestlé, só têm sentido projetos que agreguem valor à sociedade. Obviamente que o lucro é importante, mas mais importante é o crescimento da sociedade. A Nestlé tem toda uma infraestrutura para levar à mesa do consumidor brasileiro produtos de qualidade. Mas, o sabor principal de nossa atividade é o sabor do crescimento, da geração de empregos, da geração de impostos e de uma qualidade de vida melhor para todos”, disse Ivan Zurita.

O presidente da empresa afirmou que o Brasil, segundo maior mercado consumidor de produtos Nestlé em todo o mundo, é uma prioridade para o grupo de origem suíça: “Duzentas e vinte mil famílias participam do nosso processo produtivo no Brasil e nós contamos com 44 mil fornecedores no país. A Nestlé é um dos principais clientes da agroindústria no Brasil. Nós compramos 2,2 bilhões de litros de leite por ano, adquirimos 14 milhões de toneladas de grãos e 460 mil toneladas de açúcar. Isso mostra o potencial e as oportunidades que aqui estão. Estamos vivendo um momento pleno”.
Maurício Thuswohl, swissinfo.ch
Rio de Janeiro

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Marco Maia elogia acordo com a oposição sobre a DRU


Agência BrasilIolando Lourenço
Brasília - O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), elogiou o acordo feito com os partidos de oposição para permitir a votação hoje, em segundo turno, da proposta de emenda à Constituição (PEC), que prorroga os efeitos da Desvinculação de Receitas da União (DRU), até 31 de dezembro de 2015.
“Com a aprovação hoje da DRU, o Senado Federal ganha mais um dia para discutir e votar a proposta nos dois turnos. Pretendo encaminhar a matéria ainda hoje ao Senado”, disse. Segundo ele, a aprovação da DRU “é degrande importância” e precisa ser vista dentro de um cenário amplo e da crise mundial.
“Estamos contribuindo para dar estabilidade maior a situação econômica  do Brasil e para que os projetos prioritários do país nas áreas de infraestrutura, nos programas sociais, de investimentos, de educação, de transportes e obras da Copa do Mundo aconteçam nos prazos previstos. A aprovação da DRU é a garantia de que esses projetos vão continuar acontecendo dentro do previsto pelo governo”.
Câmara aprova o remanejamento de R$ 62 bilhões - o equivalente a 20% do orçamento
Câmara aprova o remanejamento de R$ 62 bilhões - o equivalente a 20% do orçamento
De acordo com Marco Maia, a partir de agora a Câmara terá que trabalhar e fazer suas votações “conectada” com o Senado Federal, para evitar trancar a pauta do Senado com medidas provisórias e projetos de lei com urgência constitucional, “porque senão o Senado não terá condições de aprovar a DRU neste ano”.

Ministério da Saúde critica autorização de vacina pelo Ministério da Agricultura


O coordenador-geral de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, José Ricardo Pio Marins, afirmou que o Ministério da Agricultura tomou a decisão de autorizar uma vacina contra a leishmaniose sem consultar o Ministério da Saúde. “Solicitamos mais dados sobre a segurança da vacina, que, se não for confirmada, o registro poderá ser cancelado”, disse.
O mestre em Medicina Veterinária Preventiva e Epidemiologia e doutor em Parasitologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Vítor Márcio Ribeiro, entretanto, contradisse o Ministério da Saúde, afirmando que há opções de vacinas seguras desenvolvidas no Brasil.
O relator do PL 1738/11, que estabelece uma política nacional de vacinação contra leishmaniose animal, deputado Mandetta (DEM-MS), questionou o fato de o Ministério da Agricultura ter reconhecido uma vacina contra a Leishmaniose há pouco mais de um mês. “Meu voto será técnico e baseado e dados científicos”, disse.
Durante a audiência pública promovida pela Comissão de Seguridade Social e Família para discutir o Projeto de Lei 1738/11, que torna obrigatória a vacinação anual de cães e gatos contra a leishmaniose, foi entregue ao relator um abaixo-assinado com 15 mil assinaturas pedindo a aprovação do projeto.
Coleiras com inseticidas
Tanto Mandetta como o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) questionaram a possibilidade de adoção em massa de coleiras com inseticidas, conforme sugeriu Vitor Ribeiro. Pio Marins afirmou que o Ministério da Saúde estuda a viabilidade dessa medida.
Autor do projeto, o deputado Geraldo Resende (PMDB-MS) elogiou o debate e afirmou que as contribuições o deixaram mais seguro de que deve ser dada a opção de tratamento e vacina para os cães.
A reunião foi encerrada há pouco.
Tempo real:16:36 - Especialista recomenda evitar contato de cães com transmissor da leishmaniose16:29 - Sociedade de Medicina Tropical critica sacrifício de cães por leishmaniose15:36 - Ministério garante que não há vacina que previna a leishmaniose em cãesÍntegra da proposta:PL-1738/2011Reportagem – Geórgia Moraes/ Rádio Câmara
Edição – Regina Céli Assumpção

Lupi diz que reunião do partido não vai discutir sua saída do ministério

Por Redação, com ABr - de Brasília

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, negou nesta terça-feira, que a reunião da executiva do seu partido, o PDT, tenha como tema a sua saída do ministério. De acordo com Lupi, “não há possibilidade” de deixar o ministério. “A melhor resposta quando a gente se sente injustiçado é continuar trabalhando.”
Carlos Lupi
O ministro Carlos Lupi (foto), disse em reunião com o PDT que não sairá do Ministério do Trabalho
Na noite desta terça-feira, a executiva do PDT irá se reunir. A expectativa é de que seja discutida a situação do ministro diante das denúncias de corrupção em sua pasta.
O próprio Lupi confirmou que as denúncias serão tratadas nessa reunião. “É um debate que o partido tem de fazer sobre os fatos”, afirmou. Essa é a segunda reunião da executiva do partido desde que as denúncias foram divulgadas há cerca de três semanas.
O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) disse que essa será uma “reunião para unificar o discurso” do partido.
As denúncias divulgadas na imprensa apontam a existência de um esquema de cobranças de propinas que envolvem organizações não governamentais que mantêm contratos com o ministério e pessoas do alto escalão da pasta, ligadas ao ministro. Lupi também é acusado de usar uma aeronave pertencente a Adair Meira, diretor de uma das ONGs que tem contrato com o ministério, durante viagem de eventos ligados a sua pasta.

Ministério Público pode contestar na Justiça novo texto do Código Florestal


O Ministério Público Federal acredita que o relatório do Código Florestal lido na última segunda-feira no Senado ainda precisa de ajustes.
Código Florestal
Ainda com abertura para emendas e reparos o novo Código Florestal é discutido pelos deputados
De acordo com o subprocurador-geral Mário Gisi, caso os temas mais sensíveis não sejam atendidos, existe o risco de o Ministério Público entrar com ações para cobrar a preservação do meio ambiente por via judicial.
– O projeto da Câmara dos Deputados saiu com inúmeras imperfeições e no Senado já teve uma melhora, mas, todavia, vemos como insuficiente para atender àquele delineamento que a Constituição estabelece em relação ao meio ambiente, disse Gisi, ao comentar o parecer apresentado pelo senador Jorge Viana (PT-AC) na Comissão de Meio Ambiente do Senado.
Ontem o procurador presidiu uma audiência pública para tratar do assunto na Procuradoria-Geral da República (PGR). A ideia é enviar sugestões ainda nesta terça-feira para emendas ao projeto. De acordo com Mário Gisi, a abertura para debate no Senado tem sido melhor que na Câmara.
Uma questão que merece reparos, segundo ele, é a tolerância para o desmatamento em reservas legais, como a anistia de multas para quem atuou irregularmente.
Outro ponto criticado foi a liberação das atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo e turismo rural em áreas rurais consolidadas até 2008 dentro de áreas de preservação permanente (APPs).
Em uma série de observações contrárias ao texto, o procurador Rodrigo Lines, do Rio de Janeiro, refutou o tratamento privilegiado que o documento dá a proprietários de terrenos com até quatro módulos rurais na recuperação de desmatamentos ilegais.
Ele acredita que a dispensa de recomposição tem base em critério “que não tem nenhum sentido”. “Nem todos aqueles que têm propriedades até quatro módulos terão característica de agricultura familiar para justificar a isenção.”
Lines criticou ainda a manutenção da regra que permite consolidação de ocupação em áreas de preservação dentro do limite urbano. Também se mostrou contrário à ideia de que os conselhos estaduais de meio ambiente deem definição para atividades de baixo impacto, o que justifica a intervenção em áreas de proteção, pois cada conselho pode ter uma interpretação.
Os membros da CMA terão até as 18h para apresentar novas emendas ao texto. A previsão é que a matéria seja votada pela comissão na próxima quarta-feira.

domingo, 20 de novembro de 2011

Boca a boca impulsiona mercado de microsseguros no país


Esse tipo de propaganda é apontado como um dos principais responsáveis pela venda, no período de um ano, de 1,7 mil microsseguros de vida pelo Banco Palmas, instituição financeira comunitária que funciona em um conjunto habitacional de Fortaleza onde vivem 30 mil pessoas. Uma das primeiras experiências de venda desse tipo de seguro (voltado para pessoas de baixa renda), o banco do Conjunto Palmeira é considerado um sucesso no país e foi apresentado na 7ª Conferência Internacional deMicrosseguros, realizada na semana passada na capital fluminense.
microsseguro
Na 7ª Conferência Internacional de Microsseguros o banco do Conjunto Palmeira é considerado um sucesso no país por sua experiências de venda
De acordo com o diretor do banco, João Joaquim Melo, que opera o projeto junto com a seguradora multinacional Zurich, a marca de 1,7 mil microsseguros pode parecer pequena, mas significa que 5% dos moradores de Palmeira compraram uma das duas modalidades de seguro disponíveis. A mais cara, de R$ 35, oferece cobertura de R$ 3 mil, assistência funeral de R$ 1 mil, além de um plano de capitalização mensal de R$ 5 mil. A outra, que foi lançada em outubro e já vendeu cerca de 700 apólices por R$10, dá direito a indenização de R$ 300 e funeral de até R$ 700.
A aposentada Maria Pereira, de 65 anos, está entre os que adquiriram o microsseguro de R$ 35. Ela ficou sabendo do produto pela nora e se convenceu de que era uma forma de deixar tudo pronto “no caso da partida”. “Não quero que eles [família] se preocupem comigo. É melhor deixar tudo arrumadinho”, disse a precavida aposentada. Já a vendedora Liliane Gomes Vieira, de 23 anos, que comprou o seguro de R$ 10, incentivada por uma corretora, revelou preocupação com os três filhos. “Se me acontecer algo, minha mãe tem uma ajuda inicial para cuidar deles”, declarou.
Explicar o que é o microsseguro para os moradores é um dos principais desafios dos corretores, diz Joaquim Melo. É preciso convencer as famílias aos poucos: “as pessoas não têm o hábito. O pobre tem medo, acha que vai morrer e alguém ficará com o dinheiro dele.” Com a “desmistificação” e a recém-concluída informatização da emissão das apólices para os segurados de 15 bancos comunitários parceiros, Melo estima que as vendas do seguro aumentem em 2012, podendo chegar a 10 mil microsseguros no fim do ano que vem.
Parceira do banco comunitário, a seguradora Zurich evita fazer uma projeção, mas também é otimista em relação ao microsseguro. Na Cidade de Deus, comunidade de 50 mil habitantes na capital fluminense, onde a parceria com o Palmas começou recentemente, o gerente comercial da multinacional, Felipe Cristóvão, fala em “um número satisfatório”, se as vendas crescerem na mesma proporção que em Fortaleza. “Em Palmeira, com 30 mil, pessoas são 250 seguros por mês”, diz.
A diretora executiva da Confederação Nacional das Empresas de Seguro (CNseg), Solange Beatriz Mendes, confirma que o mercado de microsseguro está em expansão com a melhoria da renda das classes C e D, mas reforça que o boca a boca é indispensável. Ao narrar uma experiência na comunidade Santa Marta, no Rio, que envolveu 17 seguradoras e um estratégia de conscientização, conta que a procura aumentou depois de uma pessoa da comunidade receber uma apólice.
- Lamentavelmente, houve um sinistro nessa comunidade e o fato de o beneficiário ter recebido a indenização motivou várias pessoas  a procurarem o produto- , acrescenta Solange Beatriz. Para ela, assim como ocorre com qualquer outro produto, é preciso enfrentar a falta de conhecimento do público.

Semana decisiva para as finanças do governo


Para Dilma, a DRU é uma ferramenta importantíssima para que o Brasil possa atravessar sem sustos o atual período de instabilidade econômica no mundo – Wilson Dias/ABr
A agenda legislativa da Câmara e Senado possui três matérias que interessam em muito ao governo federal, pois tratam da manutenção de mecanismos para usarem o orçamento mais à vontade e economizarem nas despesas com funcionários públicos.
Na Câmara, os deputados votam o segundo turno da Desvinculação de Receitas da União (DRU), que libera mais de R$ 60 bilhões do orçamento para uso livre, mesmo que anteriormente o dinheiro estivesse “carimbado” para ser gasto apenas em previdência, saúde e educação. Os deputados ainda podem votar projeto que limita em R$ 3.600 a aposentadoria para os novos servidores públicos, a exemplo do que já acontece na iniciativa privada. Os funcionários de hospitais também terão aposentadorias do INSS, caso o Senado aprove a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Na Câmara, o governo recuou há duas semanas de tentar votar a DRU “na marra”, uma tentativa de quebrar o intervalo de cinco sessões entre um turno e outro da Proposta de Emenda à Constituição que prorroga o mecanismo até 2015. A desvinculação acaba em 31 de dezembro e o governo teme o calendário do fim do ano e também as pressões dentro da própria base, exigindo liberação de verbas e cargos comissionados, como moeda de troca pela aprovação da DRU.
Depois de cumprir o regimento, a base aliada vai enfrentar a minoritária oposição na Câmara, que tentará obstruir a votação novamente. A ideia é aprovar a DRU na terça-feira (22) e mandá-la para o Senado no mesmo dia. De acordo com a presidenta Dilma Rousseff, a desvinculação não é uma carta branca, mas uma “margem de manobra” para uma época de instabilidade mundial. “Não é dar ao governo liberdade de gasto, é dar margem de manobra diante de uma crise internacional que se avizinha”, disse Dilma há exatos dez dias.
Previdência
O plenário da Câmara ainda analisa o PL 1992/07, que tranca a pauta da Casa junto com cinco medidas provisórias. O tema é tratado como prioridade pelos governistas porque faz com que os futuros servidores públicos tenham a mesma aposentadoria que os trabalhadores comuns, hoje limitada a R$ 3.689,66. Quem quiser ganhar mais vai ter que contribuir para um fundo de pensão privado, a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp).
A ideia é duramente combatida pelos sindicatos de servidores, que fazem pressão pela derrubada do projeto. Mas pesquisa encomendada pelo Congresso em Foco mostra que existe disposição de 38% dos parlamentares em mexer nesse vespeiro. Outros 44% não têm opinião formada.
No Senado, a criação da Ebserh está na ordem do dia, apesar de ter de aguardar as Medidas Provisórias que trancam a pauta. A empresa para administrar os hospitais universitários é vista como solução para dois problemas. O primeiro é de gestão, que vai fazer o governo cumprir determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) para que acabe com a terceirização dos funcionários nos serviços de saúde.
A segunda é poupar recursos: em vez de contratar servidores pelo regime normal, mais caro, vai optar pelo regime de CLT, com carteira assinada e previdência pelo INSS. De novo, os funcionários deverão ter teto de aposentadoria e quem quiser ganhar mais terá que contribuir para um fundo de pensão. Só por isso o PL 79/11, que já foi aprovado na Câmara, sofre forte resistência dos sindicatos de servidores.
Parques na Amazônia
Trancando a pauta da Câmara, a Medida Provisória 542/11 muda os limites dos parques nacionais da Amazônia, dos Campos Amazônicos e do Mapinguari. De acordo com a Agência Câmara, o relator da MP, Zé Geraldo (PT-PA), apresentou um relatório em que esticou o prazo, de novembro de 2011 para novembro de 2012, para os agricultores do Pronaf pagarem dívidas rurais com desconto.
No Senado, duas Medidas Provisórias bloqueiam a pauta de votação. A MP MP 541/11 amplia os recursos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tradicional financiador estatal de empreendimentos de médio e grande porte. Já a MP 540/11 reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a indústria automobilística e ainda cria um regime de tributação mais vantajoso para empresas exportadoras, o Reintegra.